Skip to content

Capítulo 3, Conheça seus riscos


Cada território tem seu perfil de risco

Um clube Rotary na Martinica não enfrenta as mesmas ameaças que um clube em Lyon, Dakar ou Porto Príncipe. O ciclone tropical não diz respeito à Borgonha. O risco sísmico não diz respeito à Bretanha. A enchente fluvial não diz respeito ao Sahel. Mas a onda de calor agora diz respeito a quase todo mundo.

Este capítulo lhe dá as ferramentas para responder a uma pergunta simples e fundamental: quais são os riscos específicos do NOSSO território, e quais recursos do Rotary devemos preparar em consequência?

Um clube que não conhece seus riscos prepara um plano genérico, ou seja, um plano inútil. Um clube que conhece seus riscos prepara o plano certo.


Os 19 tipos de desastre em 6 famílias

A classificação de referência internacional (EM-DAT/CRED, Universidade de Louvain) distingue 6 famílias e 19 tipos de desastre. O Rotary adotou esse marco para organizar sua resposta. Cada tipo é codificado (A1, B2, etc.) para permitir uma comunicação rápida entre clubes, distritos e zonas.

Tabela-resumo completa

Código Tipo Família Início Aviso possível Primeira ferramenta Rotary
A1 Terremoto Geofísico Súbito (segundos) Nenhum DRG + ShelterBox
A2 Tsunami Geofísico Súbito a progressivo De minutos a horas DRG + ShelterBox + WASH-RAG
A3 Erupção vulcânica Geofísico Progressivo (dias/semanas) Sim (observatórios) DRG + ShelterBox
A4 Deslizamento de terra Geofísico Súbito Limitado DRG + ESRAG
B1 Furacão / Ciclone / Tufão Meteorológico Progressivo (dias) Sim (NHC, meteorologia) DRG pré-impacto + ShelterBox + DAUSA
B2 Enchente Meteorológico Progressivo (horas/dias) Sim (Vigicrues, etc.) DRG + WASH-RAG
B3 Onda de frio Meteorológico Progressivo (dias) Sim DRG + rede de associados
B4 Onda de calor Meteorológico Progressivo (dias) Sim DRG + rede de associados
B5 Colapso de edifício Meteorológico* Súbito Nenhum DRG
C1 Seca Climatológico Progressivo (meses) Sim (indicadores) DRG + WASH-RAG + ESRAG
C2 Incêndios florestais Climatológico Súbito a progressivo Parcial DRG + ShelterBox + ESRAG
D1 Explosão HAZMAT Tecnológico Súbito Nenhum DRG
D2 Acidente nuclear Tecnológico Súbito Parcial (INES) DRG
D3 Vazamento / Derramamento de óleo Tecnológico Progressivo Parcial DRG + ESRAG
D4 Colapso de infraestrutura Tecnológico Súbito Nenhum DRG
D5 Acidente de transporte em massa Tecnológico Súbito Nenhum DRG
E1 Epidemia / Pandemia Biológico Progressivo Sim (WHO, graus 1-3) DRG + WASH-RAG + PolioPlus
F1 Guerra / Conflito armado Complexo Variável Variável DRG + RAGFP
F2 Refugiados / Deslocados Complexo Progressivo Parcial DRG + RAGFP + WASH-RAG
F3 Fome Complexo Progressivo (meses) Sim (fases IPC 1-5) DRG + WASH-RAG + ESRAG

*B5 classificado aqui por convenção, pode também recair sob D4 conforme a causa.

Os três modos de início

Esta distinção é crítica para a preparação do seu clube:

Modo Prazo O que muda para o clube
Início súbito De segundos a horas Nenhuma preparação de última hora é possível. Tudo repousa sobre o plano já em vigor. A call-down list, o ponto de encontro, os EPIs, tudo deve estar pronto com antecedência.
Início lento De dias a meses Tempo de preparação. O DRG pode ser submetido antes do impacto. A ShelterBox pode ser pré-alertada. Os associados podem ser informados. A vantagem é considerável, desde que não seja desperdiçada na inação.
Complexo Variável Crise multidimensional (conflito + seca + deslocamento). Acesso humanitário difícil. Neutralidade absoluta essencial. O clube só atua em espaços seguros.

Identifique os riscos do SEU território

Etapa 1, Consultar as fontes oficiais

Cada país mantém mapas de risco de acesso público. Eis as principais fontes por região:

Área geográfica Fonte O que fornece
Brasil Cemaden (cemaden.gov.br) Monitoramento de riscos de desastres naturais, alertas de deslizamentos e enchentes
Brasil Defesa Civil Nacional (gov.br/mdr) Mapeamento de áreas de risco municipais, planos de contingência
França Géorisques (georisques.gouv.fr) Mapas municipais de riscos naturais e tecnológicos. DDRM, PPR.
França Vigicrues (vigicrues.gouv.fr) Monitoramento de enchentes em tempo real
França Météo-France (vigilance.meteofrance.fr) Alertas meteorológicos (vento, chuva, calor, frio, tempestades)
Europa Copernicus EMS (emergency.copernicus.eu) Mapeamento por satélite pós-desastre
Caribe National Hurricane Center (nhc.noaa.gov) Previsões de ciclones
Global GDACS (gdacs.org) Global Disaster Alert and Coordination System
Global EM-DAT (emdat.be) Banco de dados histórico de desastres
Global UNDRR PreventionWeb (preventionweb.net) Perfis de risco por país
Sísmico global USGS (earthquake.usgs.gov) Dados sísmicos em tempo real

Ação concreta: seu Coordenador de Desastres deve consultar o Cemaden e a Defesa Civil (ou o equivalente nacional) para seu município e elaborar a lista dos riscos oficialmente identificados. Tempo necessário: 30 minutos.

Etapa 2, Sondar a memória local

Os bancos de dados oficiais não captam tudo. A memória local é um recurso precioso. Pergunte:

  • Veteranos do clube: quais desastres marcaram o município nos últimos 50 anos?
  • Autoridades locais eleitas: quais riscos aparecem no Plano de Contingência Municipal?
  • Bombeiros: quais intervenções recorrentes (enchentes em um determinado bairro, deslizamentos em uma determinada encosta)?
  • Seguradoras: quais sinistros são regularmente indenizados na região?
  • Imprensa local: arquivos de eventos passados

Etapa 3, Cruzar com as tendências climáticas

A mudança climática modifica o perfil de risco de cada território. Eventos antes excepcionais tornam-se recorrentes. Novos riscos emergem.

Tendências globais a integrar à sua análise:

Tendência Consequência Territórios mais expostos
Aumento das temperaturas médias Ondas de calor mais frequentes e intensas Áreas urbanas (efeito ilha de calor), populações idosas
Intensificação das precipitações Enchentes mais severas, enxurradas Vales, áreas pavimentadas, litoral
Elevação do nível do mar Submersão costeira, erosão, salinização dos lençóis freáticos Zonas costeiras baixas, ilhas, deltas
Secas prolongadas Estresse hídrico, incêndios florestais, insegurança alimentar Mediterrâneo, Sahel, Caribe, Nordeste do Brasil
Ciclones mais intensos Categorias mais altas mais frequentes Caribe, Pacífico, Sudeste Asiático

O ESRAG (Environmental Sustainability RAG) é o recurso Rotary para esta dimensão. Sua expertise pode ajudar seu clube a integrar a perspectiva climática à sua análise de risco.


A matriz Probabilidade × Impacto

Uma vez identificados seus riscos, é preciso priorizá-los. Nem todos os riscos merecem o mesmo nível de preparação. A matriz probabilidade × impacto é a ferramenta padrão.

Como preenchê-la

Probabilidade: estime a frequência ao longo dos próximos 20 anos.

Pontuação Probabilidade Critério
1 Muito baixa Menos de 1 chance em 100 nos próximos 20 anos
2 Baixa de 1 a 10% de probabilidade nos próximos 20 anos
3 Média de 10 a 50% de probabilidade, ou já ocorrido há 20-50 anos
4 Alta Mais de 50% de probabilidade, ou ocorre a cada 10-20 anos
5 Muito alta Quase certo, ou ocorre a cada 1-5 anos

Impacto: estime as consequências caso o evento ocorra.

Pontuação Impacto Critério
1 Menor Algumas moradias afetadas. Sem vítimas. Retorno ao normal < 1 semana.
2 Moderado Dezenas de moradias. Alguns feridos. Transtornos de 1 a 4 semanas.
3 Sério Centenas de pessoas afetadas. Feridos graves possíveis. Transtornos de 1 a 3 meses.
4 Severo Milhares de pessoas afetadas. Vítimas prováveis. Infraestrutura danificada. Transtornos de 3 a 12 meses.
5 Catastrófico Destruição em massa. Múltiplas vítimas. Infraestrutura destruída. Recuperação de vários anos.

Matriz de risco

Multiplique as pontuações. O resultado determina seu nível de prioridade de preparação.

                        IMPACTO
                 1     2     3     4     5
            ┌─────┬─────┬─────┬─────┬─────┐
         5  │  5  │ 10  │ 15  │ 20  │ 25  │
            ├─────┼─────┼─────┼─────┼─────┤
P   4       │  4  │  8  │ 12  │ 16  │ 20  │
R           ├─────┼─────┼─────┼─────┼─────┤
O   3       │  3  │  6  │  9  │ 12  │ 15  │
B           ├─────┼─────┼─────┼─────┼─────┤
A   2       │  2  │  4  │  6  │  8  │ 10  │
            ├─────┼─────┼─────┼─────┼─────┤
         1  │  1  │  2  │  3  │  4  │  5  │
            └─────┴─────┴─────┴─────┴─────┘

Pontuação 1-4   : BAIXO     → Monitoramento. Plano genérico suficiente.
Pontuação 5-9   : MODERADO  → Preparação básica. Checklist dedicada.
Pontuação 10-15 : ALTO      → Plano específico. Simulado anual. Material dedicado.
Pontuação 16-25 : CRÍTICO   → Plano detalhado. Simulados semestrais. Parcerias ativas. Orçamento dedicado.

Ficha de avaliação de riscos do clube

Preencha esta ficha em uma reunião do comitê de desastres. Tempo necessário: de 1 a 2 horas com as pessoas certas na sala (um associado que conhece o território, outro que conhece as fontes oficiais).

AVALIAÇÃO DE RISCOS — Clube de ________________________
Data: ___/___/______
Preenchido por: _______________________________________

TERRITÓRIO COBERTO: _____________________________________
Município(s): __________________________________________
População estimada: ____________________________________

RISCOS IDENTIFICADOS:
# Tipo (código) Probabilidade (1-5) Impacto (1-5) Pontuação Prioridade
1 ____ ___ ___ ___ __
2 ____ ___ ___ ___ __
3 ____ ___ ___ ___ __
4 ____ ___ ___ ___ __
5 ____ ___ ___ ___ __
6 ____ ___ ___ ___ __
7 ____ ___ ___ ___ __
8 ____ ___ ___ ___ __
RISCOS PRIORITÁRIOS (pontuação ≥ 10):

Risco nº 1: ______________________________________________
  Última ocorrência: _____________________________________
  Zonas mais expostas: ___________________________________
  População vulnerável estimada: _________________________
  Ferramentas Rotary a preparar: _________________________

Risco nº 2: ______________________________________________
  Última ocorrência: _____________________________________
  Zonas mais expostas: ___________________________________
  População vulnerável estimada: _________________________
  Ferramentas Rotary a preparar: _________________________

Risco nº 3: ______________________________________________
  Última ocorrência: _____________________________________
  Zonas mais expostas: ___________________________________
  População vulnerável estimada: _________________________
  Ferramentas Rotary a preparar: _________________________

Assinaturas: Presidente _____________ Coordenador de Desastres _____________

Exemplos de perfis de risco por tipo de território

Para ilustrar a abordagem, eis quatro perfis típicos. Seu clube provavelmente se assemelha a um deles.

Clube costeiro do Caribe (por exemplo, Martinica, Guadalupe, Jamaica)

Risco Probabilidade Impacto Pontuação Prioridade
Furacão/Ciclone (B1) 5 5 25 CRÍTICO
Terremoto (A1) 3 4 12 ALTO
Tsunami (A2) 2 5 10 ALTO
Enchente (B2) 4 3 12 ALTO
Erupção vulcânica (A3) 2 4 8 MODERADO
Onda de calor (B4) 4 2 8 MODERADO

Clube urbano europeu (por exemplo, Lyon, Toulouse, Bruxelas)

Risco Probabilidade Impacto Pontuação Prioridade
Onda de calor (B4) 5 3 15 ALTO
Enchente (B2) 3 3 9 MODERADO
Apagão (D3) 2 3 6 MODERADO
Epidemia (E1) 2 3 6 MODERADO
Explosão HAZMAT (D1) 1 4 4 BAIXO
Atentado terrorista (fora dos códigos EM-DAT, tratar como crise complexa) 1 4 4 BAIXO

Clube da África Subsaariana (por exemplo, Sahel, África Oriental)

Risco Probabilidade Impacto Pontuação Prioridade
Seca (C1) 5 4 20 CRÍTICO
Enchente (B2) 4 4 16 CRÍTICO
Epidemia (E1) 4 4 16 CRÍTICO
Fome (F3) 3 5 15 ALTO
Conflito (F1) 3 4 12 ALTO
Deslocados (F2) 3 3 9 MODERADO

Clube de ilha do Pacífico (por exemplo, Vanuatu, Fiji)

Risco Probabilidade Impacto Pontuação Prioridade
Ciclone (B1) 5 5 25 CRÍTICO
Terremoto (A1) 4 4 16 CRÍTICO
Tsunami (A2) 3 5 15 ALTO
Enchente (B2) 4 3 12 ALTO
Erupção vulcânica (A3) 3 4 12 ALTO
Elevação do nível do mar 5 3 15 ALTO

Clube urbano brasileiro (por exemplo, São Paulo, Petrópolis, Recife)

Risco Probabilidade Impacto Pontuação Prioridade
Enchente / Enxurrada (B2) 5 4 20 CRÍTICO
Deslizamento de terra (A4) 4 5 20 CRÍTICO
Seca (C1) 3 3 9 MODERADO
Incêndio florestal (C2) 3 3 9 MODERADO
Epidemia (E1) 3 3 9 MODERADO
Onda de calor (B4) 4 2 8 MODERADO

As enchentes de São Paulo e a tragédia de Petrópolis (2022), os deslizamentos de Brumadinho (2019), a seca recorrente do Nordeste e os incêndios no Pantanal e na Amazônia lembram que o território brasileiro acumula vários desses riscos simultaneamente.


Mapear seu território

A avaliação de riscos por si só não basta. Você precisa saber onde os impactos serão mais severos. Um terremoto não atinge uma cidade de modo uniforme. Uma enchente afeta as áreas baixas. Um ciclone devasta o litoral exposto ao vento.

As quatro camadas a mapear

Camada 1, Zonas de risco

Marque em um mapa do seu município as zonas expostas a cada risco identificado:

  • Zonas de enchente (PPRi na França, equivalentes em outros lugares)
  • Zona costeira (maré de tempestade, tsunami)
  • Encostas instáveis (deslizamento de terra)
  • Proximidade de instalações industriais SEVESO ou classificadas
  • Zonas de interface floresta-habitação (incêndios florestais)
  • Falhas sísmicas conhecidas

Camada 2, Infraestruturas críticas

Identifique e localize as infraestruturas cuja destruição ou indisponibilidade agrava a crise:

Infraestrutura Por que é crítica Informação a coletar
Hospital / Clínica Atendimento aos feridos. Se sair de operação, tudo se complica. Endereço, capacidade, gerador de reserva?
Estação de tratamento de água potável Abastecimento de água. Contaminação = epidemia. Localização, rede de distribuição
Usina elétrica / Subestação Fornecimento de energia. Apagão = cascata. Localização, rede
Pontes e vias principais Acesso. Se as pontes cedem, bairros ficam isolados. Identificar os pontos de corte
Escolas / Ginásios Potenciais centros de abrigo. Capacidade de acolhimento, cozinha, saneamento
Quartel de bombeiros Resposta de emergência. Tempo de resposta por bairro
Prefeitura Centro oficial de coordenação. Sala de crise identificada?
Postos de combustível Combustível para geradores e veículos. Localização, capacidade de armazenamento

Camada 3, Populações vulneráveis

Nem todos são iguais diante de um desastre. Identifique as concentrações de populações vulneráveis:

População Vulnerabilidade específica Fonte de informação
Idosos isolados Mobilidade reduzida, dependência médica, isolamento Serviços sociais, clubes da terceira idade
Pessoas com deficiência Evacuação difícil, dependência de eletricidade (aparelhos médicos) Órgãos de deficiência, associações especializadas
Crianças pequenas (< 5) Desidratação rápida, desnutrição, vulnerabilidade a epidemias Creches, saúde materno-infantil, pré-escolas
Pessoas em situação de rua Exposição direta, sem ponto de recuo Equipes de abordagem de rua, associações de caridade
Turistas / Pessoas de passagem Não conhecem o território, barreira linguística Postos de turismo, hotéis
Falantes de outra língua Incompreensão dos alertas e instruções Associações de migrantes, comunidades religiosas
Pessoas em moradia precária Moradias não resistentes às ameaças Serviços de planejamento urbano, associações

Camada 4, Recursos disponíveis

Mapeie também os recursos, o que está disponível em seu território para responder:

Recurso Tipo A identificar
Galpões / Áreas de armazenamento Logística Localização, proprietário, acessibilidade
Supermercados / Atacadistas Abastecimento Contato do gerente, possibilidade de acordo
Terrenos abertos / Estacionamentos grandes Pontos de distribuição, heliponto improvisado Localização, área
Construtoras Equipamento pesado, remoção de escombros Contato, disponibilidade
Farmácias Suprimento médico Localização, horários de plantão
Associados do Rotary com competências-chave Recurso humano Médicos, enfermeiros, engenheiros civis, logísticos
Associados do Rotary com equipamentos Recurso material Geradores, motosserras, veículos 4×4, vans

Suporte de mapeamento

Não é preciso um SIG sofisticado. Um mapa municipal impresso em A3 com sobreposições coloridas (uma por camada) é suficiente. Como alternativa, o Google My Maps permite criar mapas colaborativos gratuitamente, acessíveis no celular.

O essencial é que esse mapa exista, que seja atualizado anualmente e que o Coordenador de Desastres e o presidente do clube tenham acesso a ele, inclusive offline.


Mudança climática: riscos que evoluem

O que era um risco baixo há 20 anos pode ser um risco alto hoje. A mudança climática não é um tema abstrato para um comitê de desastres, é um parâmetro concreto que modifica a matriz de risco.

O que muda concretamente

Ondas de calor: na Europa, a onda de calor de 2003 foi um evento de uma vez por milênio (probabilidade ~1/500 anos na época). Episódios comparáveis ocorreram em 2015, 2019, 2022, 2023, frequência observada: a cada 3-5 anos. Para um clube urbano europeu, a onda de calor passa de «risco baixo» (pontuação 6-8) a «risco alto» (pontuação 12-16) em vinte anos.

Furacões: a proporção de ciclones que atingem categoria 4-5 no Atlântico Norte subiu de aproximadamente 20% (anos 1980) para ~35% (anos 2020) segundo dados da NOAA. Para os clubes do Caribe e do Golfo do México, o teto de risco sobe um patamar, o cenário «categoria 4-5» torna-se a base de planejamento, não o pior caso.

Enchentes: a pavimentação urbana combinada com chuvas mais intensas multiplica por 2 a 4 o risco de enxurrada em zonas não historicamente classificadas como zonas de enchente. Verifique o PPRI (França) ou equivalentes: alguns foram revisados desde 2020.

Secas: a bacia do Mediterrâneo está aquecendo 20% mais rápido que a média global (IPCC). Os clubes do sul da França, Grécia, Turquia, Magrebe veem a seca passar de risco sazonal a risco estrutural.

Incêndios florestais: extensão para o norte (incêndios na Escandinávia, no Canadá, na Sibéria). Os clubes até 55° de latitude devem agora integrar esse risco à sua matriz.

O ESRAG como recurso

O ESRAG (Environmental Sustainability Rotary Action Group) é o parceiro formal do DNA-RAG nesta dimensão. Ele pode ajudar seu clube a:

  • Avaliar a evolução dos riscos climáticos em seu território
  • Integrar a dimensão «Build Back Better» aos projetos de reconstrução
  • Acessar dados e estudos sobre resiliência climática
  • Construir Subsídios Globais que incorporem a componente ambiental

Contato: esrag.org

Recomendação prática

Durante sua avaliação anual de riscos, pergunte sistematicamente: «Este risco aumentou em comparação com o ano passado?» Se a resposta for sim para um ou mais riscos, ajuste as pontuações de probabilidade em consequência. A matriz não é fixa, ela deve refletir a realidade atual, não a de dez anos atrás.


Ações prioritárias deste capítulo

Antes de passar ao capítulo 4, certifique-se de que seu clube:

  • Consultou o mapeamento oficial de riscos de seu município
  • Sondou a memória local (veteranos, autoridades eleitas, bombeiros)
  • Preencheu a matriz probabilidade × impacto para todos os riscos identificados
  • Identificou os 2-3 riscos prioritários (pontuação ≥ 10)
  • Mapeou as zonas de risco, as infraestruturas críticas, as populações vulneráveis e os recursos disponíveis
  • Integrou a dimensão da mudança climática à análise
  • Armazenou esses documentos de forma acessível ao Coordenador de Desastres, ao presidente e a pelo menos dois outros associados

Se seu território enfrenta riscos com pontuação ≥ 16 (crítico), só este capítulo já justifica a criação de um comitê permanente de desastres e de um orçamento dedicado à preparação. Leve o assunto à sua próxima reunião de diretoria.